Bolsas nas Máximas vs. Economia desacelerando: O que esperar do S&P 500 e Bitcoin?

radar e a euforia editado

Se você acompanha o mercado financeiro, provavelmente deve estar se sentindo confuso.

De um lado, economistas e indicadores clássicos alertam para uma bolha e recessão iminente há meses. Do outro, até bem pouco tempo, víamos as bolsas renovando máximas e uma resiliência impressionante dos ativos de risco.

A pergunta que ecoa na cabeça de todo investidor é: “Afinal, a crise vem ou não vem?”

Para responder a essa pergunta sem “achismo”, precisamos sair das manchetes sensacionalistas e olhar para a mecânica real da economia. Precisamos entender a diferença crucial entre dois tipos de indicadores: os LEI e os CEI.

É o entendimento dessa dinâmica que separa quem é pego de surpresa no topo de quem navega os ciclos com estratégia.

1. O Radar: Entendendo os LEI (Indicadores Antecedentes)

Imagine que você está dirigindo em uma estrada. O LEI (Leading Economic Index) é o seu GPS ou o radar meteorológico. Ele não te diz se está chovendo agora; ele te diz que uma tempestade está se formando a 100km de distância.

O LEI não é um dado único. Ele é uma cesta de 10 indicadores que, historicamente, mudam de direção antes da economia como um todo. Eles funcionam como um sistema de alerta precoce, antecipando viradas de ciclo com 6 a 18 meses de antecedência.

Entre os componentes dessa cesta, temos dados como:

  • Novas licenças para construção imobiliária;
  • Novos pedidos à indústria de manufatura;
  • Índices de expectativas e confiança dos consumidores.
  • Spread da curva de juros
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Conference Board – LEI e CEI

Acima está o índice LEI na linha azul, divulgado pela Conference Board. Note como ele vem caindo desde 2022, acentuando sua queda de um ano pra cá, mas o CEI em preto ainda continua estável.

Porém, dentro dessa “cesta” de indicadores, existe um que brilha mais forte e que tem sido infalível nas últimas décadas: a Curva de Juros.

A Curva de Juros e o Sinal de Alerta:

Em uma economia saudável, juros longos pagam mais que juros curtos. Quando isso se inverte (juros curtos ficam mais caros que os longos), chamamos de inversão da curva de juros. Historicamente, toda recessão americana moderna foi precedida por essa inversão.

Mas o perigo real não é quando ela inverte. É quando ela desinverte. Quando ela cruza abaixo da linha ficando negativo, e volta a ficar positiva.

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Exemplos:

  • 2001 (estouro da bolha dotcom): a curva desinverteu em janeiro de 2001 e a recessão começou cerca de 4 meses depois.
  • 2007-2008 (crise financeira): desinverteu na metade de 2007, recessão começou no fim de 2007 (~6 meses depois).
  • 1990 (recessão do início dos 90): desinverteu em 1989, recessão no ano seguinte (~12 meses).

Recentemente, vimos a curva de juros começar a desinverter em janeiro de 2025. E, somado a isso, o índice LEI agregado vem caindo desde 2022, e entrou em confirmação de forte tendência de baixa no último ano.

Quando o LEI cai dessa forma, e a curva de juros desinverte, ele está gritando que a estrutura econômica está fragilizada.

Então, se o radar (LEI) está apitando “recessão” e a curva de juros já deu o sinal, por que o mercado não caiu de vez?

2. O Impacto: Entendendo os CEI (Indicadores Coincidentes)

Aqui entra a peça que falta no quebra-cabeça. Enquanto o LEI é a previsão do tempo, o CEI (Coincident Economic Index) é olhar pela janela e ver se, de fato, está chovendo.

Os Indicadores Coincidentes são aqueles que confirmam o presente. Eles nos dizem o que está acontecendo agora na economia real. Assim como o LEI, o CEI também é uma cesta composta por quatro métricas principais:

  • Produção Industrial;
  • Vendas da indústria e varejo;
  • Renda Pessoal (descontando transferências do governo);
  • Emprego (Payroll e Taxa de Desemprego).

A recessão só é confirmada “oficialmente” quando os CEIs caem em conjunto.

Por que o mercado ainda se sustenta? O motivo pelo qual vimos o mercado sustentar altas, mesmo com o LEI caindo, é simples: o CEI ainda não confirmou a queda.

O mercado financeiro vive de expectativas, mas o pânico real só ocorre quando a economia real quebra. E o pilar mestre que está segurando esse “castelo de cartas” até agora é o Mercado de Trabalho.

O emprego é o principal indicador coincidente (CEI). Enquanto as pessoas têm emprego e renda, elas consomem, as empresas faturam e a “música continua tocando”. Até o momento, o desemprego saiu das mínimas, começou a subir, mas ainda não tivemos uma alta forte para causar a ruptura necessária para derrubar a economia.

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3. A Minha Tese: A Euforia antes do Abismo

Muitos investidores olham o LEI negativo e vendem tudo, perdendo grandes oportunidades. A minha leitura para os próximos meses é diferente.

Como ainda não tivemos uma confirmação da recessão pelos indicadores coincidentes (o CEI se mantém) e o desemprego ainda não explodiu verticalmente, o cenário de curto prazo ainda permite otimismo.

É muito provável que a gente ainda tenha um forte rally neste final de ano.

A liquidez continua no sistema e, na ausência de um colapso imediato do emprego, o dinheiro deve fluir para ativos mais especulativos e de alto risco, principalmente:

  • Empresas de Tecnologia e Growth (Nasdak);
  • Mercado Cripto.

O mercado deve caminhar para uma fase de euforia extrema. Acredito que veremos o investidor de varejo, (as “pessoas comuns”), entrando pesado na bolsa e em cripto justamente no topo, movido pelo medo de ficar de fora (FOMO), achando que a economia “pousou suavemente”.

A Grande Reversão: O perigo mora exatamente aí. Será quando o mercado estiver eufórico, com o varejo posicionado no máximo risco, que a realidade do LEI finalmente encontrará o CEI.

A virada de chave definitiva, aquela que exige proteção máxima do investidor, virá quando a taxa de desemprego disparar, confirmando o que o radar (LEI) já estava nos avisando.

Conclusão

Aproveite o provável rally de fim de ano nos ativos de risco, mas com cautela e diversificando em ativos seguros também.

E não se deixe enganar pela euforia que está por vir.

A festa ainda está rolando, mas fique de olho na porta de saída. O desemprego será o sinal para apagar a luz.

Fiz um vídeo sobre esse artigo no Youtube. Assista ele e se inscreva no canal.

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